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Como saber se você está ajudando ou sendo enganado na internet

O impulso humano de ajudar outras pessoas em necessidade é um dos nossos melhores instintos. Mas também é aquele que atrai o pior da humanidade. Infelizmente, os golpistas adoram tirar proveito das nossas tendências altruístas e, recentemente, recebi duas mensagens online que destacam exatamente isso.

A primeira mensagem apareceu no meu Instagram: “Preciso da sua ajuda”. Curioso, abri o aplicativo e descobri que uma marca de moda sustentável que eu sigo – não alguém que eu conheça pessoalmente e nem alguém com quem eu já tenha falado antes – havia entrado em contato.

Agora, eu tinha a sensação de que sabia o que estava acontecendo, e espero que você também saiba. Mas eu decidi jogar com eles para ver onde tudo isso levaria. E quase assim que eu respondi “Oi, estranho na internet!”, a conta respondeu com isso:

“Eu estava tentando fazer login na minha nova página do Instagram no meu novo telefone e eles me pediram para encontrar alguém para receber um link de ajuda para mim, ok?”

Ainda brincando, perguntei: “Ok, então por que você precisaria de um estranho para fazer isso por você?”

Eles responderam com “Por favor”, seguido pelo emoji chorando e o emoji de mãos rezando e esta imagem:

Não parece uma boa tentativa de fraude? Então eu parei de brincar, denunciei a conta e postei no meu próprio Stories sobre isso.

Apenas um dia depois, alguém que eu realmente conheço pessoalmente me enviou uma mensagem no Facebook Messenger. Esta é uma pessoa que conheci quando criança, mas que não via há 20 anos. Eles perguntaram: “Ei, eu realmente odeio perguntar, mas você pode me emprestar alguns dólares até quarta-feira?” Ao que eu respondi: “Ei amigo! Você foi hackeado?”

Continuamos conversando e percebi que, nesse caso, era mesmo meu amigo de infância. Eles estavam passando por um momento difícil financeiramente e, só posso supor, estavam entrando em contato com quem eles achavam que lhes poderia emprestar algum dinheiro.

Optei por não emprestar dinheiro a eles, mas queria compartilhar essa história para ilustrar como os golpistas usam a engenharia social para enganar pessoas bem-intencionadas com dinheiro e/ou informações pessoais. Vamos dar uma olhada nessas duas mensagens para destacar os óbvios (e menos óbvias) sinais vermelhos de golpe.

Golpe escancarado

A mensagem do Instagram que recebi é um bom exemplo do que eu chamaria de “golpe escancarado”. Como alguém que passa muito tempo pensando nessas coisas, eu percebi imediatamente que era um golpe. Mas não estou tentando encher minha bola aqui. Sinceramente, acho que a maioria das pessoas seria capaz de identificar isso como um golpe.

Aqui estão os sinais para que qualquer um identifique um golpe:

  1. É uma pessoa com quem nunca falei.
  2. Eles começaram com um pedido: “Preciso da sua ajuda”.
  3. Houve uma tentativa de pressão do tempo: “Por favor [emoji chorando]”.
  4. A “captura de tela do Instagram” que eles me enviaram está repleta de erros de gramática e espaçamentos estranhos.
  5. Não existe uma situação real em que uma pessoa precise de um completo estranho para enviar um link para ela.
  6. Eu dei uma olhada no perfil dele – uma empresa de moda sustentável – que, de repente, estava constantemente postando sobre criptomoedas.

Então, o que esses (fracos) golpistas estavam tentando alcançar? Eu não continuei com o estratagema, então não posso dizer com certeza. Mas posso dar um palpite, baseado no fato de que eles queriam que eu recebesse e clicasse em um link.

Clicar em um link malicioso* pode resultar em algumas coisas diferentes: pode baixar um vírus para o seu dispositivo; pode direcionar você a um site que solicita suas informações pessoais ou financeiras; ou pode ser um link pedindo para você enviar dinheiro diretamente. No caso do meu suposto golpista, acho que eles queriam que eu baixasse um malware para sequestrar o meu dispositivo e exigir o pagamento de um resgate ou para obter acesso à minha conta do Instagram.

Eles estão enganando?

A segunda mensagem que recebi foi um pouco mais complicada. Aqui estão os sinais vermelhos de que pode ter sido uma farsa.

  1. É uma pessoa que não vejo há 20 anos, embora tenham me enviado mensagens aleatórias no Dia de Ação de Graças.
  2. Eles me pediram (inapropriadamente, na minha opinião) dinheiro.
  3. Houve uma tentativa de pressão de urgência: eles me disseram que só tinham cinco dólares para os próximos quatro dias.
  4. Sua gramática e ortografia não eram perfeitas.

Depois de apenas algumas perguntas, consegui perceber rapidamente que eram quem eles diziam ser. Um dos maiores sinais foi que eles não insistiram quando eu disse que não empresto dinheiro para outras pessoas. Um golpista* continuaria pressionando e tentando encontrar uma maneira de convencer você a fazer o que eles querem. Uma pessoa real também pode fazer isso, mas não pressionar é um bom sinal de que você está lidando com a pessoa com quem pensa estar lidando.

Esta também foi uma situação de baixo risco. O relacionamento que tenho com essa pessoa é tênue, na melhor das hipóteses, trocamos talvez 10 mensagens nos últimos 20 anos, todas elas no último mês. Mas um bom golpista usará um relacionamento muito mais próximo para tentar obter dinheiro de suas vítimas.

Por exemplo, os “golpes de netos*” são cada vez mais comuns. Esses golpes têm como alvo pessoas mais idosas, com golpistas se passando por netos que se meteram em uma situação urgente e perigosa. Às vezes, eles dizem que estão presos na delegacia após terem sido roubados. O “neto” implora ao avô ou à avó que não conte aos seus pais, dizendo que eles vão ter problemas ou ficam envergonhados. Em vez disso, eles solicitam que o dinheiro seja enviado imediatamente.

Nessas situações, é sempre importante não se deixar levar pelo sentimento de emergência. Os avós precisam ligar para os filhos para saber onde estão os netos, mesmo que o “neto” com quem estão falando diga que não. E nunca, jamais, envie dinheiro – ou cartões-presente ou qualquer outra coisa que possa ser usada como dinheiro – para alguém que entrou em contato online.



Embora eu tenha optado por não emprestar dinheiro a esse amigo de infância, outras pessoas, em uma situação semelhante, podem querer ajudar alguém que conhecem. Se for esse o caso, certifique-se de enviar dinheiro de uma maneira que seja rastreável e apenas para a pessoa que está solicitando. Desconfie de qualquer sistema de pagamento “alternativo” para o qual seu “amigo” tente direcioná-lo.

Encontre outra forma segura de entrar em contato com essa pessoa – talvez seja e-mail, número de telefone ou através de um amigo em comum – para confirmar que ela é quem diz ser.

Ajudar nossos semelhantes é sempre bom, mas, às vezes, pessoas que realmente não são boas pedem a nossa “ajuda”. Eu não gostaria nunca de desencorajar você a ser altruísta, mas aconselho a ter um olhar crítico sempre que alguém entrar em contato online. Gastando um pouco de tempo e realizando a devida consulta, você poderá ajudar com segurança a seus entes queridos.