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O guia do cidadão para identificar fake news

Como ser mais cético sobre o que você lê na internet

Está difícil de separar o que é verdade de um boato hoje em dia. A maioria de nós só quer entender o que é verdade e o que não é. E mais, queremos que nossos filhos entendam a diferença entre fato e ficção. Mas analisar o que vemos em nossas mídias sociais ou até mesmo em reportagens jornalísticas exige algum esforço. Nesta postagem, apresento alguns recursos para ajudar você a diferenciar a verdade (como diria Stephen Colbert, do programa The Late Show) do que você encontra na internet.

A enorme quantidade de desinformação, mentiras, teorias conspiratórias – chame como quiser – é impressionante. Em 2016, o dicionário Oxford declarou o termo “pós-verdade” como a palavra do ano*. E desde então as coisas só pioraram. Um estudo feito por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley* encontrou diversos vídeos postados no YouTube promovendo ideias como a de que extraterrestres criaram as pirâmides de Giza, que o governo norte-americano esconde tecnologias secretas ou que a viagem à lua é falsa (essas teorias conspiratórias estavam espalhadas em vídeos separados, mas talvez exista um que coloque tudo isso no mesmo balaio). 

E, recentemente, o Facebook* e o Twitter* desativaram dezenas de contas que eram operadas por pessoas ligadas ao governo russo na tentativa de influenciar as eleições dos EUA de 2020. 

Mas não devemos nos preocupar somente com teorias conspiratórias. Mesmo sites que parecem dedicados a notícias podem existir somente para promover o golpe do clique. O relatório Recursos de mídia simulados: notícias locais*, do pesquisador russo Vlad Shevtsov, mostra que existem inúmeros sites que parecem veículos jornalísticos sérios em Albany, capital do estado de Nova York (EUA), e Edmonton, capital de Alberta (Canadá). Esses sites construíram novas páginas com artigos perenes e outras com serviços que têm atraído milhões de visitantes, como revelam as ferramentas de análises. Ainda assim, eles têm características curiosas, como visitas feitas quase que exclusivamente por dispositivos móveis fora da sua região geográfica. Infelizmente, esses sites são falsos. 

A identificação desses sites equivale à detecção de golpes phishing por empresas de segurança, que pode servir para ambos em alguns desses sites. Esta página da Academia da Avast explica bem isso. 

Renee Dresta e Shelby Grossman, do projeto Observatório da Internet da Universidade de Stanford, documentam como agentes da inteligência russa criam falsos dados e postagens no relatório Páginas e Personas Potemkin, Avaliando as Operações GRU Online*. As duas fontes acima foram citadas aqui*, em um artigo que escrevi no fim do ano passado. Esses sites falsos compartilham dois elementos comuns:

  • “Lavagem” de narrativa ou a transformação de alguma coisa em “fato” com a repetição frequente de uma ideia em fontes aparentemente legítimas.
       
  • Invasão e vazamento, com a postagem de conteúdo no Wikileaks e outros sites que são escolhidos pelo noticiário.

Vamos falar sobre como ficar mais esperto no que se refere à verificação desses sites e postagens. O primeiro é o projeto “infodêmico”*, criado pelo pesquisador Mike Caulfield, da Universidade do Estado de Washington (EUA). Ele usou a epidemia do coronavírus como estudo de caso para mostrar como diferenciar o fato da ficção usando um método chamado por ele de “SIFT”, uma abreviação para stop (pare), investigate the source (investigue a fonte), find better coverage (encontre uma cobertura melhor) e trace claims back to the original source of content (rastreie a informação até a fonte original do conteúdo). Sua postagem mencionada acima descreve o processo e conta com algumas técnicas simples, mas bastante úteis, que podem ser usadas por qualquer um para investigar os fatos. Outra fonte vem do programa de rádio On the Media, que listou 11 pontos* para ajudar você a reconhecer se o que você está lendo é verdade ou não.

Aqui está outro pensamento radical do meu colega italiano Marco Fioretti*. Ele sugere fazer uma pausa antes de responder a qualquer postagem em uma rede social. Vamos dizer um tempo de 10 minutos antes de responder a mensagens em grupos ou tuites e coisas afins. Isso pode diminuir a proliferação da desinformação. Talvez.

O Newseum montou um grupo de treinamento* que mostra diversos vídeos que devem ser classificados como verdadeiros ou falsos. Mesmo que o teste tenha sido desenvolvido para estudantes do ensino fundamental, ele pode ser feito por qualquer um. Você só precisa criar uma conta gratuita para acessar a aula. 

Para terminar, escolas de jornalismo montaram diversos planos de aula para uma ampla gama de alunos*, e o jornal The New York Times também oferece várias aulas e outras sugestões para o público geral neste artigo de 2017*. 

Claro que descobrir o que realmente é fato demanda algum esforço. Mas é melhor ser cético e parar para pensar sobre o que você está lendo, do que clicar imediatamente no botão “compartilhar” para enviar uma postagem a todos os seus amigos e parentes.